Fases da Visão

Crianças - Cuidados com o bebê

Antes do nascimento

O acompanhamento pré-natal é capaz de evitar o comprometimento da visão do bebê que irá nascer. Algumas doenças, como a rubéola e a toxoplasmose, podem causar cegueira e problemas neurológicos na criança.

O bebê já nasce enxergando?

Não, o recém-nascido apenas percebe luz e vultos, os quais ainda não sabe interpretar. Assim como ele não sabe falar e andar, também não sabe ver. Com o passar dos meses, se estiver tudo em ordem com seus olhos, irá desenvolvendo progressivamente sua visão. Próximo aos cinco anos de idade, na maioria das crianças, a visão será igual a do adulto.

Qualquer doença ocular ao nascimento, como a catarata congênita e o glaucoma congênito, pode prejudicar totalmente este desenvolvimento. O teste do reflexo vermelho, também chamado de “teste do olhinho”, deve ser realizado ainda na maternidade. Ele é capaz de detectar essas e outras doenças, às vezes gravíssimas, como o retinoblastoma (um tipo de câncer ocular) precocemente.

Oftalmia neonatal, obstrução do canal lacrimal e outras alterações

A oftalmia neonatal é uma conjuntivite que afeta crianças menores de 28 dias de nascimento. Ela é causada pela infecção durante o parto, em virtude do contato da criança com as secreções genitais da mãe, combinada com a falta de cuidados no momento do nascimento. Para evitar a contaminação, ainda na sala de parto, profissionais de saúde aplicam gotas de nitrato nos olhos da criança.

O bebê, em seus primeiros dias de vida, também pode apresentar olhos muito vermelhos e lacrimejantes, causados pela obstrução do canal lacrimal (dacriocistite). Se isso ocorrer, ele deve ser examinado por um oftalmologista, que poderá indicar o tratamento correto.

Também deve ser levado com urgência ao médico oftalmologista o bebê que, ao nascer, tiver mancha branca na menina dos olhos, olhos anormalmente grandes, ou ainda que não suportem claridade.

Como limpar os olhos do bebê?

Para limpar os olhos do bebê, deve-se utilizar gaze ou pano limpo molhado em água filtrada e previamente fervida. Fazer movimentos delicados sem apertar os olhos.

Crianças - Teste do olhinho

O que é?

É um exame simples, rápido e indolor, que consiste na identificação de um reflexo vermelho, que aparece quando um feixe de luz ilumina o olho do bebê. O fenômeno é semelhante ao observado nas fotografias. Para que este reflexo possa ser visto, é necessário que o eixo óptico esteja livre, isto é, sem nenhum obstáculo à entrada e à saída de luz pela pupila. Isso significa que a criança não apresenta nenhum obstáculo ao desenvolvimento da sua visão.

Por que e quando fazer?

A criança não nasce sabendo enxergar, ela vai aprender assim como aprenderá a sorrir, falar, engatinhar e andar. Para isso, as estruturas do olho precisam estar normais, principalmente as que são transparentes. O “Teste do Olhinho” pode detectar qualquer alteração que cause obstrução no eixo visual, como catarata, glaucoma congênito e outros problemas cuja identificação precoce possibilita o tratamento no tempo certo e o desenvolvimento normal da visão.

Desde junho de 2010, o pagamento do “Teste do Olhinho” por todos os planos de saúde é obrigatório, segundo decidiu a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Antes disso, em muitos estados e cidades o exame já era instituído por lei e realizado nas maternidades públicas e particulares, antes da alta do recém-nascido. O objetivo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é que todas as crianças tenham esse direito garantido!

A recomendação é que o Teste do Olhinho seja realizado pelo pediatra logo que o bebê nasça. Se isso não ocorrer, o exame deve ser feito na primeira consulta de acompanhamento e continua sendo importante nas consultas regulares de avaliação da criança, com a periodicidade definida pelo médico. Se o pediatra encontrar algum problema, encaminhará a criança para avaliação do oftalmologista.

Se o seu filho ainda não fez esse teste, fale com seu pediatra!

Para mais informações, acesse o site da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

 

Fonte: http://www.cbo.com.br/novo/publico_geral/criancas/teste_do_olhinho

 

Crianças - O olho infantil

A visão se desenvolve durante a infância, alcançando a maturidade por volta dos cinco anos de idade. Por isso, é muito importante que problemas de visão sejam tratados o quanto antes. A consulta oftalmológica é uma medida preventiva importante, mas alguns sintomas podem indicar a presença de um problema oftalmológico:

  1. apresentar olho torto (vesguice ou estrabismo);
  2. dor de cabeça ou mal-estar durante ou após realizar um esforço visual, como ler, desenhar ou escrever;
  3. franzir a testa ao olhar para longe;
  4. aproximar objetos, livros ou cadernos dos olhos;
  5. desinteresse por atividades que exijam boa visão ou leitura.

 

A percepção de problemas visuais em crianças pequenas é prejudicada pela fala incipiente, mas os pais podem observar no dia-a-dia sinais que podem indicar a presença de algum problema. O lacrimejamento excessivo, por exemplo, pode indicar desde uma obstrução do canal lacrimal até um glaucoma congênito. Ao perceber alguma anormalidade, a criança deve ser levada a um oftalmologista para uma avaliação.

Outro problema importante que precisa ser corrigido ainda na infância é a ambliopia, ou “olho preguiçoso”. É uma situação na qual a visão não se desenvolve plenamente em um dos olhos, embora sua aparência seja normal. Com o passar do tempo, o cérebro ignora as imagens que vem desse olho “fraco”, de tal forma que ele perde a visão. O portador de ambliopia tem dificuldade para perceber distâncias e profundidade, além de correr riscos de cegueira total, caso venha algum dia a perder a visão de seu olho saudável. A ambliopia pode ser curada se o tratamento (que requer o uso de um tampão sobre o olho sadio, de modo que o olho “preguiçoso” seja estimulado) for realizado antes que a visão tenha atingido a maturidade. Por isso, mesmo que não apresente aparentemente nenhum problema de visão, a criança deve ser examinada por um oftalmologista em seus primeiros anos de vida.

Com o início da vida escolar, também é possível perceber a presença de problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia). Muitas vezes, o desinteresse pelas aulas e a dificuldade de aprendizado estão associadas à dificuldade de enxergar. É recomendável levar a criança para um novo exame oftalmológico no início da alfabetização.

Como devem ser os óculos da criança e quais os cuidados necessários?

Os óculos com grau só podem ser receitados pelo oftalmologista e recomenda-se que sejam conferidos por ele após serem produzidos. As armações devem ser, de preferência, de acrílico, por serem mais resistentes, e devem estar bem adaptadas ao rosto da criança, ou seja, confortáveis. Elas não podem estar soltas, apertando o nariz ou atrás da orelha.

As hastes que se prendem atrás da orelha são melhores para as crianças. As lentes também devem ser de acrílico, pois são mais leves. Quando o grau das lentes for elevado, recomenda-se o uso de lentes especiais que deixam os óculos mais leves e mais finos. Os óculos devem ser sempre trocados quando a armação estiver torta ou se as lentes estiverem muito riscadas.

Se houver necessidade de cobrir com tampão, evite fazê-lo na lente dos óculos. Dê preferência para colocar o tampão na pele ou na armação dos óculos. Para limpar os óculos, utilize água, sabão e um pano limpo e macio que não solte fiapos.

 

Fonte: http://www.cbo.com.br/novo/publico_geral/criancas/o_olho_infantil

 

Adolescentes

A visão na adolescência

Durante a adolescência e a puberdade, com frequência são diagnosticados problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia). Nessa fase, é comum a busca de correção por meio do uso de lentes de contato ou de cirurgia refrativa, como alternativa ao uso de óculos.

Pessoas entre os 13 e 20 anos também estão sujeitas ao aparecimento do ceratocone, uma doença que provoca irregularidade da córnea. Na puberdade, o ceratocone pode às vezes estar acompanhado pelo hábito de coçar excessivamente os olhos e por vezes não é percebido, pois muitos adolescentes não dão atenção ao aumento da sensibilidade à luz e à baixa da qualidade de visão, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato.

Não há cura para o ceratocone, mas os tratamentos disponíveis podem melhorar a visão, estabilizando o problema e reduzindo a deformidade da córnea. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor é o resultado do tratamento. Por isso, adolescentes devem ser submetidos a consultas oftalmológicas, mesmo que não apresentem queixas.

 

Fonte: http://www.cbo.com.br/novo/publico_geral/adolescentes

Adultos

A visão na fase adulta

Pessoas que enxergam bem, normalmente, apenas procuram um médico oftalmologista quando a visão começa a falhar, o que ocorre em geral por volta dos 40 anos de idade. Queixas como sensação de vista cansada, coceira nos olhos, dificuldade para focalizar imagens próximas e lacrimejamento são as mais comuns às pessoas que procuram o atendimento oftalmológico nessa fase da vida.

Além da presbiopia (ou vista cansada), que pode ser resolvida com o uso de óculos para perto, outros problemas são mais frequentes a partir dos 40 anos:

Catarata

É definida como qualquer opacificação do cristalino que atrapalhe a entrada de luz nos olhos, acarretando diminuição da visão. As alterações podem levar desde pequenas distorções visuais até a cegueira.

Pode ser classificada como:

  • catarata congênita: presente ao nascimento;
  • catarata secundária: devido a fatores variados, tanto oculares como sistêmicos;
  • catarata senil: opacidade do cristalino relacionada à idade.

Aproximadamente 85% das cataratas são classificadas como senis, com maior incidência na população acima de 50 anos. A correção cirúrgica é a única opção para recuperação da capacidade visual do portador de catarata.

 

Glaucoma

Doença ocular que provoca lesão no nervo óptico e campo visual, podendo levar à cegueira. Na maioria dos casos, vem acompanhada de pressão intraocular elevada, mas pode ocorrer também em “baixa pressão”. Em geral, o tratamento é feito com colírios. Se o tratamento clínico não apresentar resultados satisfatórios, pode-se indicar cirurgia.

 

Retinopatia diabética

O diabetes é uma doença progressiva, que afeta, entre outras áreas do corpo, os vasos sanguíneos do olho. Portadores de diabetes apresentam um risco de perder a visão 25 vezes maior do que os demais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a retinopatia diabética atinge mais de 75% das pessoas que têm diabetes há mais de 20 anos. O controle cuidadoso do diabetes, com uma dieta adequada e acompanhamento médico são as principais formas de evitar o desenvolvimento da retinopatia diabética. Para manter a visão, diabéticos devem passar rotineiramente por uma consulta oftalmológica. 

 

Fonte: http://www.cbo.com.br/novo/publico_geral/adultos

Idosos

O envelhecimento acarreta mudanças no organismo do indivíduo e, consequentemente, o aparecimento de algumas doenças. Entre as alterações relacionadas à idade estão as dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Pode haver também perda da comunicação e desajuste psicossocial devido a situações específicas vivenciadas pelo idoso, como: aposentadoria, viuvez, perda de amigos, alterações na composição e na dinâmica familiar, mudança de residência e dificuldades funcionais.

O envelhecimento poderá ser tranquilo ou não, de acordo com a capacidade funcional que a pessoa conseguir manter ao chegar à terceira idade. Por isso, atitudes preventivas, como alimentação e atividades físicas, entre outras, são importantes.

As doenças mais letais são as cardiovasculares, entre elas a hipertensão e o diabetes, que podem evoluir para a insuficiência cardíaca. Segundo dados de 1997 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as doenças do aparelho circulatório são responsáveis por 39,4% dos óbitos masculinos e 36,3% dos femininos entre os idosos. Outro problema frequente é a depressão. De 25% a 33% da população idosa mundial apresenta a doença. A depressão pode tornar o idoso dependente de outras pessoas e incapacitá-lo para a realização de suas atividades diárias.

Outras doenças comuns nos idosos: derrame (acidente vascular cerebral), pneumonia, câncer, enfisema e bronquite crônica, infecção urinária, osteoporose, diabetes, osteartrose, Mal de Parkinson e Alzheimer.

Doenças oculares mais comuns nos idosos: A visão pode ser afetada em diferentes aspectos como percepção de cores, campo visual, visão noturna, visão de perto, de longe e as principais etiologias são catarataglaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

A baixa visão no idoso pode desencadear outras alterações?

Se a baixa visão compromete a autonomia do indivíduo, consequentemente prejudica sua qualidade de vida. O idoso que enxerga mal tem dificuldades nas tarefas diárias, como cozinhar, ler, assistir televisão, ir ao cinema, pegar ônibus e, os que ainda trabalham, poderão ter diminuição do rendimento.

Também aumentam os riscos de queda, atropelamento, uso trocado de medicação ou dosagem errada. Muitas vezes a baixa visão acarreta o isolamento e a depressão, afastando o indivíduo do convívio social , transformando-o de aliado em fardo frente às necessidades da família.

Referências

1 - Kara- José N; Bicas HEA; Carvalho RS. Cirurgia de Catarata: do histórico às necessidades sociais.
2 - Bialy, L et al. Resgatando trajetórias de vida de idosos renais crônicos.Cogitare Enferm. Curitiba, 1999.
3 - Guia Serasa de Orientação ao cidadão: Disponível em: http://www.serasa.com.br/guiaidoso/18.htm(16/07/07)
4 - Almeida T. O conceito de velhice. Disponível em: Portal Brasil Medicina.com:http://www.brasilmedicina.com.br/noticias/pgnoticias_det.asp?AreaSelect=3&Codigo=1248 (12/7/07) 
5 - Vieira DF. A velhice nos tempos atuais. Disponível em: Portal do envelhecimento:http://www.revistapsicologia.com.br/materias/abordagens/m_abordagens_velhice.htm (16/07/07)
6 - Cypel M. Envelhecimento, senescência, senilidade. Revista Universo Visual, Nov. de 2006. Disponível em:http://www.universovisual.com.br/publisher/preview.php?edicao=1106&id_mat=1374 (12/07/07)

 

Fonte: http://www.cbo.com.br/novo/publico_geral/idosos