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Retinopatia da Prematuridade

Retinopatia da Prematuridade

Retinopatia da Prematuridade

 

A Retinopatia da Prematuridade é uma doença que acomete os bebês prematuros, que nascem com peso inferior a 1.500 gramas ou antes de 32 semanas de gestação. Nessas crianças os vasos sangüíneos da retina, que é parte do sistema nervoso central, são muito imaturos e começam a se desenvolver de maneira anormal causando hemorragias que levam à cegueira. O primeiro exame deve ser feito até quatro semanas após o nascimento.

 


 

Alguns fatores, como o aumento de gêmeos prematuros ( técnicas de  fertilização assistidas), avanços da medicina e o maior índice de sobrevivência dessas crianças contribuem para aumentar a incidência da doença, que leva freqüentemente à cegueira. Só no Estado de São Paulo, a doença atinge 30% dos prematuros, com cerca de mil novos casos por mês.

 


O maior número de nascimentos prematuros e a maior sobrevida nos berçários fez aumentar muito o número de casos de Retinopatia da Prematuridade e cegueira em recém nascidos!


1) O que é a Retinopatia da Prematuridade (ROP)?


A retina é parte do sistema nervoso central e ao nascimento ainda está em desenvolvimento. Antigamente as crianças prematuras freqüentemente morriam. Com a melhora da medicina devido a melhora da qualidade de cuidados no berçário e a sobrevivência de crianças prematuras de baixo peso e/ou de pouca idade ao nascimento, aumentou muito a freqüência dessa doença que leva à cegueira se não tratada a tempo. Nessas crianças os vasos sangüíneos da retina ainda são muito imaturos e começam a se desenvolver de maneira anormal causando hemorragia e descolamento da retina que leva à cegueira. Esse tipo de crescimento anormal de vasos é chamado de Retinopatia da Prematuridade (ROP) e pode acometer crianças prematuras principalmente de idade gestacional muito baixa e/ou baixo peso (≤ 1500g) ao nascimento.

 

2) Quais crianças correm mais riscos de desenvolver ROP?


As crianças que apresentam um risco maior são aquelas que nascem com peso menor do que 1.500 gramas ou nascidas antes de 32 semanas de gestação. Existem outros fatores que aumentam os riscos de desenvolver ROP nos prematuros, como as crianças que necessitam de mais oxigênio no berçário e aquelas que desenvolvem infecções generalizadas (sepsis).

 

3) Quais exames são feitos nas crianças prematuras?


A única maneira de determinar se a criança prematura está desenvolvendo ROP é através do exame da retina feito pelo Oftalmologista que dilata a pupila da criança e examinando a retina pode fazer o diagnóstico e indicar o tratamento quando necessário. Nem todos os casos devem ser tratados. Estes não tratados deverão ser examinados periodicamente até que a retina apresente amadurecimento normal dos vasos sanguíneos, o que pode acontecer mesmo depois da alta do berçário.


4) Existe alguma norma legal federal no Brasil em relação à Retinopatia da Prematuridade?


Não, mas existem movimentos de conscientização em muitas cidades brasileiras, inclusive São Paulo.


5) Quando deve ser feito o primeiro exame ?


O primeiro exame deve ser feito nas primeiras 4 a 6 semanas de nascimento da criança prematura e o Oftalmologista deve ser chamado pelo Pediatra para examinar essas crianças.

 

6) Quem faz o exame?


O Oftalmologista que é o médico treinado para este tipo de exame.

 

7) Como é feito este exame?


O Oftalmologista dilata a pupila da criança com colírios e em seguida usando uma fonte luminosa e uma lente especial faz o exame chamado de Oftalmoscopia Indireta. Como a luz incomoda bastante e o olho do bebê também é muito pequeno, para se manter o olho aberto, muitas vezes utiliza-se um instrumento simples que abre as pálpebras durante o exame. Quando este instrumento é usado, antes da colocação dele é instilado colírio anestésico para diminuir o desconforto. Desta maneira ele consegue examinar a retina.

 

8) Esse é o único aparelho necessário?


Sim, porém, existe um outro tipo de aparelho, infelizmente não disponível no Brasil que permite, através da documentação fotográfica da retina, fazer o seguimento desses bebês de maneira mais adequada.


9) O exame é desconfortável ou perigoso para o bebê?


O exame não apresenta riscos. É evidente que a luz incomoda a criança e dessa maneira o exame é feito com todo o cuidado e de maneira a levar ao menor incomodo. Porém deve-se lembrar que, tratando-se de uma doença que leva à cegueira permanente para o resto da vida, esse incomodo é necessário e vale a pena.

 

10) Qual tipo de follow-up é feito depois do primeiro exame?


O follow-up ou exames seguintes depende dos exames iniciais. O Oftalmologista em contato com o neonatologista é que determina o próximo exame, que pode ser semanal ou quinzenal.

 

11) Quais são os diferentes estágios da Retinopatia da Prematuridade?


Existem várias classificações, os estágios vão desde de o crescimento anormal leve dos vasos sanguíneos até o estágio mais grave que é a retina completamente descolada e a necessidade de cirurgia ainda que o prognóstico seja muito ruim. Trata-se de uma doença em que a grande possibilidade de evitar a cegueira é o exame para a detecção da ROP.

 

12) E o custo de sofrimento dessa doença é muito grande?


Sem dúvida. Estamos falando de cegueira permanente e irreversível por toda a vida da pessoa. Se considerarmos que a sobrevida atual de um adulto é de cerca de 70 anos, o custo e o sofrimento são máximos. A ROP se torna um problema de saúde pública pela magnitude e impacto da cegueira que afeta toda a vida de um indivíduo por ter adquirido a cegueira desde a infância, com menores chances de desenvolvimento e aprendizado, sem  muitas oportunidades em todas as esferas econômica, social, intelectual  e psicológica, se tornando um cidadão deficiente e com capacidade produtiva baixa. Assim, o impacto da cegueira é grande quando calculamos o número de anos de vida com cegueira que estas crianças terão pela frente.


13) Qual a incidência da Retinopatia da prematuridade ?

30% dos RN prematuros tem retinopatia.


14) O que acontece se a Retinopatia da Prematuridade não regride?


Cegueira permanente! Os vasos continuam crescendo e a retina termina por se descolar. Ai é necessário cirurgias que podem durar muitas horas e freqüentemente não resolvem o problema e nesses casos, o olho pode mesmo atrofiar. Também é possível que a criança não fique completamente cega, mas com uma baixa visual muito grave, necessitando de auxílios ópticos visuais (lentes especiais) para enxergar.

 


 

15) Quais são os tratamentos da Retinopatia da Prematuridade?

Quando o Oftalmologista faz o tratamento, consegue com o Laser tratar os vasos anormais e dessa maneira controlar a doença.

 

16) Qual o custo desse tratamento?


Trata-se evidentemente de um tratamento complicado, pois a equipe oftalmológica deve se deslocar até o berçário, esperar dilatar a pupila e o exame de uma criança pode demorar uma hora, devendo ser repetido. O tratamento necessita de laser, que é caro e importado e custa cerca de R$100 mil reais. O tratamento nem sempre é repetido. Os exames de seguimento após tratamento sim, com exames periódicos mesmo depois da alta do berçário. (Foto meramente ilustrativa)

 

 

 

 

17)  A luz especial que algumas crianças ficam expostas no berçário pode piorar a Retinopatia da Prematuridade?


Não existe risco.

 

18) A Vitamina E ou qualquer outro tipo de tratamento tem alguma ação?


Não, nenhum outro tratamento se mostrou eficaz. O único tratamento é o laser. A vitamina E utilizada no passado, também não mostrou efeito.

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto da Visão da UNIFESP - 31/07/2006 (em Opticanet)

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